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Bertioga »  Forte São João
 
História do Forte

Com o primitivo nome de Sant'Iago e depois rebatizado como Fortaleza de São João da Barra de Bertioga, tendo à frente (do outro lado do canal, já na ilha de Santo Amaro) o Forte de São Felipe, conserva-se até hoje em destaque no município essa edificação do século XVI, como é explicado na História de Santos/Poliantéia Santista pelos autores Francisco Martins dos Santos e Fernando Martins Lichti (Ed. Caudex Ltda., São Vicente/SP, 1986):

A primeira fortaleza da colonização afonsina: Sant'Iago ou São João da Bertioga

Diz Frei Gaspar, baseado em manuscrito de Dionísio da Costa (que viveu na época de 1650), que Martim Afonso, por ocasião da sua passagem para o Sul, antes de tocar na ilha de São Vicente, em 1531, entrou pela Barra de Bertioga, onde construiu um fortim provisório (estacada) para defesa de alguns homens que ali deixou, ao seguir sua derrota para o "rio da prata".

É que, amplamente informado da região, visto que trazia, em sua Armada, dois homens, pelo menos, que ali já haviam estado durante muitos anos - Pero Capico e Henrique Montes ou Montés, o primeiro como escrivão da Armada, e o segundo como prático da região de S. Vicente e "da prata" -, sabendo, portanto, o que representavam aquela barra e sítio para a obra colonizadora já realizada e a realizar-se muito breve, onde presença costumeira dos tamoios constituía ameaça constante a qualquer iniciativa social portuguesa.

Acreditamos que isso tenha acontecido e achamos quase lógica a realização desse primeiro fortim bertiogano; a verdade, porém, é que tal estacada, alguns anos depois, por abandono dos seus ocupantes ou por destruição pelos tamoios, já não mais existia, não chegando nem mesmo a ingressar na relação das fortificações primitivas da Capitania.

Passa pois como primeiro fortim, estacada ou "trincheira" daquela barra histórica, com base em documentos, aquela fortificação levantada pelos heróicos irmãos Braga, aqueles primeiros santistas nominalmente conhecidos, que, aventurosamente, ali estabeleceram seu reduto avançado em 1547, como se conclui destas linhas do Texto de Marpurgo (N.E.: de Hans Staden): "Cerca de dois anos antes da minha vinda (1549), os cinco irmãos tinham decidido, com alguns índios amigos, edificar ali uma casa forte para deter os contrários, o que já tinham executado".

É evidente que alguma participação oficial deveria ter havido no caso, não sendo de aceitar que aqueles irmãos, por sua própria conta e sem uma autorização especial, fossem levantar uma pequena fortaleza, na barra mais usada pela pequena navegação e de uso comum ou geral.

À destruição do frágil entrincheiramento dos irmãos Braga pelos tamoios do litoral Norte, ainda descrita na mesma obra, sucedeu - como relata Hans Staden, em 1552 -, a reconstrução do sítio de Bertioga e de sua "casa forte".

Em 1557, o capitão-mor Jorge Ferreira fez construir ali um forte definitivo, no mesmo local anterior, talvez sob influência da ocupação francesa do Rio de Janeiro, em aliança com os tamoios, fechando melhor aquela barra, onde Braz Cubas já construíra o Forte de São Felipe, situando-o na elevação extrema da Ilha de Guaibê ou Santo Amaro, em 1552, cabendo, entretanto, os merecimentos dessa construção ou reconstrução, que seria a Fortaleza de São Tiago (ou Sant'Iago), ao fidalgo Antônio Rodrigues de Almeida, almoxarife da Capitania, como se vê em documento de 1560 lavrado pelo capitão-mor Francisco de Moraes, ocasião em que Pascoal Fernandes, um dos principais fundadores de Santos, foi nomeado comandante dos dois fortes, como Condestável do sítio e barra de Bertioga.

Desde aquele ano de 1557 é que se pode, verdadeiramente, contar a existência efetiva da Fortaleza (técnica) de Sant'Iago, só no século XVIII denominada "São João".

Partida da esquadra de Estácio de Sá de Bertioga para o Rio de Janeiro, em 1565
Tela de Benedito Calixto

Daqui, de junto a este Forte, partiram, na manhã de 27 de janeiro de 1565, as naus e embarcações de Estácio de Sá e José Adorno, que fundariam definitivamente a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, futura Capital do Brasil.

É longo o que se poderia contar deste fortim seiscentista, que o espírito atual esquece, metido nos confortos da hora presente que ele ajudou a alicerçar e construir.

Foram diversas as reparações e reconstruções operadas, pelo tempo adiante, nesta velha fortaleza, sendo a principal aquela verificada durante o governo de Morgado de Mateus, o capitão-general, governador D. Luiz Antonio Botelho de Souza Mourão, em meados do século XVIII.

Esta fortaleza, em 1830, como se vê na descrição do marechal Daniel Pedro Müller - Ensaio dum quadro estatístico da Província de S. Paulo, pp. 219-220 -, era em tempo de paz, àquela altura, de 3 homens apenas, e em tempo de guerra: de 1 oficial inferior e 20 soldados de infantaria.

Reformada algumas vezes no correr dos séculos, como dissemos, ela existe, ainda hoje, apesar de suas ruínas terem permanecido no mais absoluto abandono durante muitas décadas.

Esta situação perdurava até os anos 40, quando o sr. Armando Lichti comprou as terras adjacentes e, reconhecendo o valor histórico daquelas ruínas, mandou limpar a vegetação que a cobria, pois o local se encontrava com denso matagal. Esta iniciativa possibilitou a visitação das ruínas, que passaram a ser a principal atração turística de Bertioga. Em 1943, quando o Brasil se encontrava em estado de beligerância com os países do "Eixo" (Alemanha, Itália e Japão), o Exército instalou um posto de vigilância na velha fortaleza e suas dependências, sob o comando de um oficial-tenente, o qual lá permaneceu até o fim da guerra, em 1945, quando novamente Armando Lichti tornou a assumir a coordenação da conservação do Forte São João até seu falecimento, em 1950.

Seu filho, sr. Fernando Martins Lichti, continuou mantendo os locais limpos e a visitação pública dos mesmos, praticamente até 1960, quando, pouco depois, o Instituto Histórico e Geográfico Guarujá-Bertioga resolveu cuidar, não só desse Forte, como do outro - o de S. Felipe - da ponta da Ilha e demais ruínas históricas da sua vizinhança: como a grande Capela dos Adornos ou de Santo Antônio de Guiasse e os tanques (depósitos) da antiga Armação das Baleias, instalando afinal, naquele primeiro - a Fortaleza de Sant'Iago ou São João -, o Museu João Ramalho, com mapas, portulanos, documentos, peças, armas e munições dos primeiros séculos brasileiros, instalado na casa do Forte, compreendendo ainda a reconstrução e reconstituição da velha Capela interna, do segundo orago (São João), para o que puderam contar com um donativo de 600 mil cruzeiros, do industrial José Ermírio de Moraes - dono do antigo sítio "Indaiá", de Vicente de Carvalho, no extremo da praia da Enseada -, o qual, desde 1940, vinha colaborando, valiosamente, com vários problemas de Bertioga.

A famosa barra de Bertioga, por onde entravam, até o largo ou enseada do Curumaú (Curumã-hu, "rio das tainhas"), muitos dos antigos barcos de coberta, foi teatro da primeira colonização afonsina e palco das mais sanguinolentas refregas entre a barbária e a civilização, uma não querendo ceder à outra; tamoios tupinambás atirados contra portugueses, fazendo ressaltar, no horizonte da história pátria, as figuras heróicas dos seus primeiros mártires - entre eles os irmãos Braga - e os vultos veneráveis de Manuel da Nóbrega, José de Anchieta e José Adorno, figuras primaciais da colonização portuguesa de São Vicente.

Aimbiré, Coaquira, Pindoboçu, Cunhambebe, Jagoanharo, Arari, Tibiriçá, Caiubi, Nóbrega, Anchieta, os Adorno, os Braga, e São Vicente, Santos e São Paulo de Piratininga formam o background da agitada história dos nossos primeiros tempos; e a todos nós lembra esse nome - Bertioga -, e de todos é uma síntese heróica, esse velho forte, cujos paredões veneráveis, e algumas vezes centenários, resistem ainda ao desbarato do tempo, ante a indiferença dos governos, que, sem o direito de fazê-lo, tal como os homens que vivem apenas a vida biológica, esquecem-se do que ele foi e do que ele representou para tudo que aí está hoje, para esse São Paulo que cresceu sobre os seus alicerces cívicos e morais.

Mário Neme, um dos melhores pesquisadores modernos de S. Paulo, afirma que Martim Afonso de Souza (palestra realizada em 1/8/1958, na Câmara Municipal de Piracicaba), segundo demonstrara em seu livro publicado em 1943, não viera em missão colonizadora, "mas destinava-se a ocupar militarmente a região do Prata e garantir pelas armas, se necessário, a posse das minas de ouro que aí tão insistentemente diziam existir".

Há um pouco de exagero nisso. Sem dúvida que os quatrocentos soldados que ele trazia e os cabos de guerra que com ele vinham pareciam destinar-se mais a uma ação daquele gênero e importância, do que a uma obra de simples colonização.

Mas, esquecia-se Mário Neme de que ele vinha, também, para expulsar o "Bacharel" Mestre Cosme Fernandes, fundador da primeira São Vicente, genro de Piquerobi, um potentado, cercado de centenas de indígenas amigos e aparentados, capaz de impor-se e vencer a um comandante menos armado.

Esquecia-se, ainda, de que com Martim Afonso vinha um grande ferreiro (Bartolomeu Fernandes ou Gonçalves) e vinham os Adorno, com o seu Engenho desmontado, que se destinava a S. Vicente, para desenvolvimento da indústria de aguardente e do açúcar. Martim Afonso teria vindo então para as duas coisas. Numa, a primeira, ele falhou, talvez por efeito do naufrágio sofrido lá mesmo, na região marítima "do Prata" e pelo desfalque inesperado dos seus melhores atiradores partidos de Cananéia; na outra, ele venceu, fundou São Paulo e o Brasil em um ano de presença apenas.

A fortaleza passou por um processo de restauro, que foi contestado através de uma ação na justiça, que alegava não estarem sendo seguidas as características originais.

Mesmo com o trâmite da ação, os técnicos do Iphan conseguiram uma liminar para dar continuidade aos trabalhos, e o Forte pôde ser reaberto ao público em 22 de abril de 2000, durante os festejos dos 500 anos de Descobrimento do Brasil.

Dois meses depois, o Forte foi novamente interditado por força da Lei, sendo reaberto no dia 19 de abril de 2001, durante a cerimônia de abertura da 1ª Festa Nacional do Índio e permanece aberto até hoje.

Visitação: Local: Av. Tomé de Souza - Canal de Bertioga
O Forte São João abre diariamente, das 9h às 17h. O ingresso simbólico sai por R$ 1,00, que é revertido para os projetos assistenciais do Fundo Social de Solidariedade.

Fontes: http://www.novomilenio.inf.br/bertioga/bh007.htm e http://www.bertioga.sp.gov.br
 
     
 
     
 
     
 
     
 
     
 
         
 
 
 
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Crédito das fotos:
Dú Zuppani, Pedro Resende, Renata de Brito, Jair Favero, Luis Nelson, Francisco Simões, Willi Kruise e fotos de arquivo.